O perigo da lua

Move-se, lenta e nua
e, à penumbra, a curva reluzente.
Nada lhe cobre; é quente
e brilha, prateada como a lua

Enfeitiçados, ponteiros paralisam
por um momento, estáticos no escuro.
O olhar penetrante é um sussurro
Pede pelas coisas que deslizam

Tudo ali é percorrido, como um canal
de águas calmas, que ora é rebelado
Nada mais navega então, tudo é naufragado
Tudo se confunde entre bem e mal

Move-se, lisa e quase perniciosa
Difícil desvendar a intenção.
Nesses luares de rara introspecção
nada detém a alma perigosa.

 

Patrícia Moresco