Outra vez de frente para o profundo vale da poesia
e as coisas todas assim arremessadas
o que é, o que será,
o que poderia ser, o que deveria.
Porque o vale tem sombras.
Vê-lo de longe já é como o trem que mudou de trilho
descarrilou, fugiu pela bifurcação
perdeu o freio, quebrou
algumas placas.
O trem está perdido. É um sinal.
Os versos, tentando colocar em ordem
essa coisa toda
arrumar os trilhos, trazer de volta, erguer a placa caída.
Ou não. Talvez só um alívio.
Talvez adiar o inevitável.
Talvez a palavra como um consolo
de quem se vê de repente, ainda de longe,
contemplando o vale.
Patrícia Moresco
