As palavras sempre foram a minha vazão. Quando os sentimentos estão a ponto de transbordar, preciso escrever. É assim que me equilibro.
Então, se eu disser que nunca escrevi tanto, fica fácil deduzir que nunca senti tanto, também.
Tenho pensado que a maturidade é a minha segunda epifania: um momento de compreensão súbita, como uma iluminação de coisas que antes pareciam obscuras. De repente tanta coisa ficou clara! Tem sido mais fácil fazer escolhas. Ficou mais fácil enxergar as placas que indicam a direção.
Mas essa luz também me deixou cara a cara com meus sentimentos. Eles são mais claros. Agora eles falam mais… E assim, escrevo mais.
Penso que escrever também é um exercício de autoconsciência. Seja qual for o sentimento, compreendê-lo ajuda a fazer com que transborde só o que precisa transbordar.
Porque alguns sentimentos, na verdade, precisam apenas ser esvaziados.
Então, para me equilibrar, coloco-me nesse estado de autoconsciência, observo-me e deixo cada coisa em seu lugar:
esvazio o que há de ruim, que permiti que me fizessem sentir e que eu não quero reter;
transbordo aquilo que sinto por haver amor em mim, porque acredito no poder do bem – e claro, no poder das palavras.
