Quando eu era criança, encontrei uma poesia em um livro velho na casa da minha nona. Era tão bonita… Eu lia e sentia. E eu não tinha mais que sete anos.
Tão pequena. Tão sozinha também. A infância na roça não teve muito espaço para conversas ou sentimentos.
Então eu lia. E os livros de poesias tinham sentimentos que muitas vezes eu não conhecia. Tinha amores e dores. Contemplação da natureza. Um olhar mais demorado sobre todas as coisas.
Fui crescendo e tantas vezes me senti sozinha e perdida, até que aparecia uma poesia… Era como um abraço quente, uma voz querida que dizia: Venha… eu sei o que você está sentindo e você não está sozinha.
A poesia me acolhia. E sem ter para onde extravasar, escrevia também… Nascia assim uma pequena poetisa.
Poesia não é uma técnica: é apenas sentir. Não importam tanto as palavras nem o repertório.
Então publiquei livros, sem qualquer lucro, pelo simples prazer de soprar sentimentos ao mundo. Pensava: será que alguém um dia também se sentirá abraçado pelas minhas palavras? Alguém sentirá o que sinto?
E continuei escrevendo… Com coragem! Afinal, a poesia expõe o que há de mais íntimo; é preciso coragem para se abrir assim. E agora estamos aqui, neste momento singular da humanidade, tempo de pressa e ansiedade. Um tempo em que não há tempo para sentir, mas todos estão carentes e muitas vezes desamparados.
Mas finalmente vejo as coisas mudando. Conecto-me agora pelas redes sociais (a mesma que nos apressa) com centenas de homens e mulheres através da poesia. Tantas pessoas que se reencontram consigo, que conseguem sentir. E então a minha poesia abraça as pessoas, da forma como eu fui e sou tantas vezes abraçada.
Toda vez que alguém se sente acolhido pelas minhas palavras, a vida se concretiza para mim.
Somos uma parcela especial de pessoas que ainda respira o suficiente para sentir profundamente. Isso me alegra e me enche de esperança.
Então por favor, continue sentindo! Alimente a poesia que há em você, e isso fará bem a você e ao mundo.
E de todo meu coração: obrigada.
Com carinho,
Patrícia
