Alerta: Este é um texto opinativo, não científico, escrito por humana (uau, sem IA!), e assim pode ser desconfortável de ler e estar sujeito a vieses. E, como sempre, está aberto também a debates; outros pontos de vista são bem-vindos e sempre serão avaliados com imparcialidade.

A pauta aqui é Liberdade. Essa sempre foi, para mim, uma pauta séria.
Para ilustrar este texto, trago um exemplo particular meu, envolvendo uma das coisas que mais gosto de fazer: correr em montanhas.
Quando comecei neste esporte, eu tinha menos referências, menos comparações, menos acessórios, menos despesas. Há dez anos, quando fiz minha primeira prova de corrida em trilhas, eu sequer imaginava o que encontraria. Não conhecia essas competições e fui imensamente feliz durante treze quilômetros. No final, para minha surpresa, tendo sido muito feliz e sem qualquer preocupação de tempo ou ideia de ranking, subi ao pódio geral feminino. Fui livre.
Mas ali começava a morrer minha liberdade, no sabor daquele troféu. Eu começava a preencher a agenda e o cartão de crédito com aquilo. Eu pensava que era livre enquanto ocupava meu tempo com treinos e colecionava medalhas e troféus, mas estava equivocada. De repente, já não era mais uma escolha; era um dever, um compromisso social, uma demanda do ego.
Quando dei por mim, procurei mudar. Hoje ainda, embora eventualmente me aventure com alguma inscrição de prova desafiadora, sinto um peso imenso pela obrigação de treinar. Na prova sou livre, porque a escolho e ali faço o que posso sendo livre; no treino, cumpro um dever. Não sinto o prazer da liberdade.
Na prática, podemos escolher voluntariamente aquilo que depois passa a nos governar.
Há muitas formas de refletir sobre isso, e os vínculos também são uma delas. O amor familiar e o amor de parceiros diferem, sobretudo, porque o segundo, geralmente, é uma escolha. Das coisas toleradas no âmbito familiar, muitas são porque é pai, é mãe, é filho, é irmão; se não o fossem, provavelmente o vínculo seria rompido.
Preocupamo-nos tanto com os julgamentos e com a cultura na qual estamos invisivelmente afogados que, sob a insígnia da liberdade, conduzimos nossas ações sempre focados em sua repercussão.
Mas o que mais me aperta nisso tudo, e que me leva a escrever este texto duro, é o aprisionamento que criamos na própria mente. São as coisas que não precisamos, mas dizemos precisar, muitas delas por vaidades não admitidas.
E, para mim, atualmente, confesso que isso inclui madrugar em um sábado qualquer, após poucas horas de sono, lutando contra o cansaço de uma semana exaustiva, pela obrigação de treinar para uma prova de corrida da qual eu mesma escolhi participar.
Como isso ressoa para você?
Patrícia Moresco
